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15 de abril de 2015

Já passou um ano

Há um ano atrás estava eu longe de imaginar que um dia depois tu entrarias nas nossas vidas, não aconteceu como com a tua irmã que comecei a sentir dores quase um dia antes.
Também não estava tão ansiosa.
Por volta das 23 horas comecei a sentir contracções (estava com 38 semanas e 4 dias), resolvi ir deitar-me a ver se passava, que isto ser mãe de segunda não é a mesma coisa, e ir para o hospital a meio da noite não dava jeito nenhum ... enfim!
Dormi, relativamente bem posso dizer.
Por volta das 6h30 da manhã as contracções acordaram-me, desta vez mais fortes, disse ao teu pai que secalhar não era pior irmo-nos despachando, ele levava a tua irmã à escola e eu ia para o hospital e se fosse preciso alguma coisa lhe ligava ou pedia à prima Lili para me ir buscar.

Passados 30 minutos o meu pensamento já não era o mesmo, as contracções já tinham intervalos de 10 minutos, passavam-me milhões de coisas pela cabeça ... naquele dia não dava jeito nenhum, o teu pai tinha que ir buscar uns ingleses ao aeroporto.
Fui tomar um duche, as dores aumentaram um bocadinho.

Acordámos a tua irmã, e tratámos de tudo como se fosse um dia normal, disfarcei as dores para ela não notar.
Nessa altura decidimos que o teu pai é que me ia levar ao hospital (já não me sentia em condições de conduzir), depois de deixarmos a tua irmã na escola. 
Tivémos sorte, não havia trânsito (era a semana da Páscoa), mas cada rotunda era um martírio ... as dores eram muitas.

Chegámos a Santa Maria, por volta das 9h30, entrei ... o teu pai seguiu para o aeroporto e combinámos ir falando.
Nunca tinha visto tanta gente na triagem de obstetrícia ... quase desesperei. As dores já eram mais que muitas, descarreguei um app e comecei a contabilizar o tempo entre contracções ... 5 minutos ... esperei e fiz-me de forte ... 4 minutos ... esperei e finalmente entrei.
Descrevi o que se passava à enfermeira ... desvalorizou e mandou-me deitar na marquesa ... 4 dedos de dilatação ... deja vu.

Aí  foi a correria da outra vez.
Vamos ter com a médica, preencher a papelada, mandar sms para o teu pai, pensar que se deviam despachar porque já não estava a aguentar.
Finalmente podia subir, perguntaram-me se precisava de uma cadeira de rodas, armei-me em forte e disse que não ... arrependi-me. Um pai que estava a espera para subir com a mulher para uma indução de parto, viu-me sozinha e ofereceu-se para subir comigo (simpático), disse-lhe que não, que o teu pai já estava a chegar (esperava eu).
À porta do elevador liguei para o teu pai e disse-lhe para vir rápido que senão não chegava a tempo, deviam ser quase 11 horas. No elevador ainda tive que lidar com o stress da auxiliar que não sabia o que fazer com as minhas roupas.

Cheguei lá acima ... mandaram-me trocar de roupa.
Rebentaram-me as águas (isso foi novidade com a tua irmã não aconteceu), estava a ver que não conseguia sair da casa de banho, lá consegui a esforço chamar uma enfermeira, deitaram-me na marquesa e ainda me deram a epidural.
Acho que ia partindo o braço a uma enfermeira, estava com contracções contínuas e não podia mexer.
As dores diminuiram ... uffa!

Chegou Dra Helena e disse-me que o teu pai subiu com ela no elevador e já se estava a trocar ... alívio. Já com ele a meu lado a doutora espreitou e disse que tinhas mais cabelo que o pai (rimo-nos).
Fiz força duas vezes e tu nasceste, eram 11h24 (mais rápido não podia ser).

Eras (e és) linda, vieste completar a nossa família e amamos-te muito.
Amanhã é o teu dia.